Você sabe ou ainda lembra como foi o início da Congregação Castelo Forte em São Bernardo do Campo?
Certamente muitos ainda se lembram como tudo começou, parece até que foi ontem mesmo, não é?. Mas muita água já rolou por debaixo desta ponte, construída sobre pilastras muito bem plantadas e alicerçadas na pedra angular “Nosso Senhor Jesus Cristo”. Quanta luta, quanto trabalho e desafios que às vezes pareciam intransponíveis, mas que foram todos vencidos ou superados, não pelo nosso esforço, mas sempre pela vontade do Senhor da igreja, pois é dele esta obra e não nossa. É por isso que temos a certeza de que ela não será derribada ou sufocada pelas adversidades.
Com certeza nos lembramos também de fatos importantes, pitorescos, engraçados, embaraçosos, enfim que nos marcaram de uma forma ou de outra e que também fazem parte da historia da Castelo Forte. E com o objetivo de que outros também possam conhecê-los é que a comissão de eventos da congregação sugeriu que se publicasse estes fatos no ARAUTO nos meses de Setembro a Dezembro dentro das comemorações dos 20 anos da Castelo Forte. Participe você também indicando fatos que ficaram marcados em sua memória,e assim nos ajude a escrever a nossa história de cristãos luteranos em São Bernardo do Campo.
Dando inicio a narrativa, gostaria de contar a vocês alguns fatos que antecederam a fundação da congregação, fatos estes extraídos de minha memória. Nos anos de 1981 ou 1982, a Congregação Redentor resolveu chamar um 2º pastor para auxiliar o pastor Breno Cláudio Thomé. Coincidência ou não, nesta época a diretoria, Presidente, Secretário e Tesoureiro, respectivamente Moacyr, Norberto e Nilton, moravam em São Bernardo do Campo e junto com outros membros desejavam iniciar um trabalho missionário mais efetivo no ABC, visando buscar os membros afastados e a levar o evangelho a outras pessoas.
Este pastor a ser chamado deveria ter como sua principal função trabalhar no sentido de iniciar essa missão no ABC, especialmente em função do grande número de membros daquela congregação que residiam nessa região. Foi aí que começou o planejamento e foi lançada a sementinha da Castelo Forte, e para esta tarefa , recomendado pela IELB , foi chamado o recém-formado pastor Donato Pfluck que se instalou numa das antigas salas de aulas da Redentor a qual foi adaptada e transformada em um apartamento. Aquele menino... foi adotado pelas senhoras que o tratavam como se filho fosse de todas elas.
O pastor Donato assumiu o trabalho inicialmente auxiliando o pastor Breno nas diversas atividades da congregação, mas já buscando subsídios para atingir o objetivo “começar uma missão no ABC”. Com a ida do pastor Breno e sua família aos EUA para estudar, a casa pastoral da Redentor passou a ser ocupada pelo pastor Donato agora já casado com a jovem Rozane Dolvitsch Pfluck , vinda de Ijui-RS.
O primeiro passo efetivo para inicio da nova congregação foram as visitas aos membros residentes na região. Nesta visita pelo pastor ou membros da diretoria era colocada a intenção de se iniciar um trabalho missionário no ABC e se colhia do membro o seu interesse e apoio para a empreitada e em que cidade o trabalho deveria ser implantado. Se não me falha a memória, foi feito uma espécie de abaixo-assinado o qual foi apresentado em assembléia da Redentor juntamente com a proposta do início da missão.
A idéia inicial é que teríamos em São Bernardo uma missão da congregação Redentor, mas que evoluiu para uma Paróquia com duas congregações, com o pastor mantido pela Paróquia e as despesas locais por cada congregação local. A congregação Redentor, a título de auxilio inicial, cedeu para a missão de São Bernardo 100 cadeiras de madeira que até hoje utilizamos, batistério (ainda hoje utilizado em nossos cultos), o púlpito (antigo), o Harmônio de fole (posteriormente doado a congregação de Campo Limpo Paulista) e um veículo da marca Volkswagen modelo “Brasília”, que havia sido de uso do Pastor Nilo e que posteriormente nos foi furtado durante um culto noturno que estava sendo celebrado pelo Pastor Sergio já em nosso atual endereço.
Com a volta do pastor Breno dos EUA, o pastor Donato passou a residir em São Bernardo, dedicando-se exclusivamente à missão e à fundação da Congregação Castelo Forte, que se concretizou oficialmente em 15/12/1985 com aproximadamente 100 membros, sendo praticamente todos vindos da Congregação Redentor, e que num curto espaço de tempo (aproximadamente 4 anos) se tornou uma congregação independente administrativa e financeiramente.
Um fato marcante em nossa história foi o 1º culto realizado em São Bernardo. Após a decisão da Assembléia na Redentor, e na condição de seu presidente e membro residente em São Bernardo, juntamente com o pastor e os membros da região iniciamos a procura por um local onde instalar provisoriamente a “Missão São Bernardo”. E procura daqui e dali até encontrarmos uma excelente sala no 3º piso do prédio nº 290 da Av. Redenção (veja foto). A localização era ótima, prédio novinho, a sala ampla, tinha uma pequena copa, dois WC, tinha escadas também, mas... éramos jovens, o aluguel era razoável. A alegria e o entusiasmo eram contagiantes. Tudo certo, assinamos o contrato, pegamos a chave, marcamos a data do 1º culto em São Bernardo, dia 20 de Maio de 1984. Seria uma bela festa, para isso convidamos todas as congregações de São Paulo e para pregador nada menos do que o pastor da “Hora Luterana”, Rev. Paulo K. Jung, hoje vice-presidente da IELB. Só faltava fazer a limpeza, ornamentação e cuidar da segurança do povo que viria para a festa. Foi aí que a coisa começou a pegar pois quando estávamos nos preparativos com um grupo de irmãos e irmãs de um lado para outro, com vassouras, rodos, crianças pulando, etc., alguém observou “vocês estão sentindo ?”. O quê ? responderam : “O piso está tremendo”. De fato , a laje vibrava com o pular das crianças, e com isso veio a preocupação. No dia seguinte fomos procurar um engenheiro que nos desse um “laudo de estabilidade do prédio” e que nos garantisse que não havia perigo em colocarmos tanta gente lá em cima. Nada, não conseguimos o tal laudo ou melhor, nenhum engenheiro quis assumir o risco.
Procuramos o proprietário, o que fazer, rescindir o contrato? mas onde realizar o culto já programado para o próximo domingo, com todas as pessoas convidadas?
Felizmente o proprietário entendeu a situação e concordou em desfazer o negócio. E para resolver nosso problema imediato, que era a realização do culto programado para o domingo, ele nos cedeu o salão térreo do mesmo prédio , que já estava alugado para outra pessoa. Assim o nosso primeiro culto de louvor a Deus em São Bernardo pode ser realizado em segurança . A festa foi tão bonita e contou com a participação de corais e de muitos convidados que até a previsão do vinho para a Santa Ceia furou e precisamos providenciar a compra de mais vinho durante o culto. Posteriormente, com mais calma e tranqüilidade encontramos um novo salão sob medida para as nossas atividades, um pouquinho escondido é verdade, mas muito aconchegante e acolhedor, que ficava na Rua Senador Ricardo Batista Gerbeli, nº 28, uma travessa da Rua Continental próximo à Cidade da Criança ( veja a foto).
Foi ali , em 15 de dezembro de 1985 , que a Congregação Castelo Forte foi oficialmente constituída.


Após a fundação, já razoavelmente instalados, seguimos muito animados com os trabalhos e confiantes nas bênçãos de Deus. O ânimo era tanto que quase que imediatamente nos pusemos a procurar um outro local, mas desta feita um local próprio onde pudéssemos construir um espaço adequado para o culto de adoração e louvor e que fosse também apropriado para as demais atividades de educação cristã e confraternização entre os membros. O local precisava ser muito bem situado, e de preferência onde a igreja fosse bem “visível” aos de fora. Esta sempre foi, e deverá ser, a preocupação da nossa congregação, ou seja a de levar o evangelho de “Cristo a todos” que nos rodeiam.
Visitamos muitos lugares, em diversos bairros e até mesmo no município de Santo André, antes de nos decidirmos pela compra do terreno (início de 1987) na Avenida Capitão Casa. Escolhemos este local porque, apesar de ser fora do centro, era um local promissor por ser um bairro novo, por estar situado numa avenida de ligação a outros bairros e de esquina bem “visível”, o tamanho e a topografia possibilitava fazer um bom aproveitamento na construção e, por termos comprado diretamente do loteador, claro o preço era mais razoável, sendo que os recursos vieram de um empréstimo feito junto a IELB e de doações de membros, como por exemplo à feita pelo Sr. Egon Drygala que destinou o valor apurado na venda de um imóvel de sua propriedade como oferta.
Decidido o local passamos a pensar no projeto, o qual foi desenvolvido voluntariamente pelo amigo Arquiteto Maurício Barotti que não cobrou seus honorários, após a aprovação e com a autorização em mãos, por iniciativa do pastor Donato foi realizado o culto da 1ª pazada (ver foto) em gratidão a Deus pela benção da terra adquirida e início da obra (agosto de l987).

O primeiro passo foi a sondagem do terreno para o projeto de estrutura ambos sem ônus para a congregação. Tudo definido foi dado início com o serviço de terraplenagem executado pela prefeitura a nosso pedido e pelo qual foi pago o preço público estipulado na época. Em seguida contratada uma empresa especializada para fazer o estaqueamento da obra toda (estacas Straus de até 12 metros de profundidade) e a partir daí começamos a construção dos muros de fechamento do terreno e as paredes, cobertura e piso do salão provisório que em Dezembro do mesmo ano já estava sendo utilizado, e veja que foi feito somente aos feriados, sábados e domingos até as 15 ou 16 horas, sendo que os cultos eram realizados a noite na Rua Sen. Ricardo B. Gerbelli, quando todos procuravam também lá estarem presentes ao louvor, apesar do cansaço físico.

Muitos outros mutirões foram feitos para a construção da igreja. Praticamente todos participavam, tanto os homens, mulheres, jovens e crianças. Todos unidos com um mesmo objetivo, servir ao Senhor e a Castelo Forte. A cada mutirão era uma festa, na hora do almoço então!!! Não tínhamos cozinha não, mas o Senhor sempre providenciou o necessário à todos através das dedicadas mãos de suas servas.
Como era bom ouvir: “O almoço está servido”!!! E unidos cantávamos a oração “Vem Jesus oh benigno Senhor.....” com muita alegria, descontração e uma fome de leão. Findo o almoço era hora de retornar para a lida, tínhamos muitos especialistas em diversas funções e profissões tais como: metalúrgicos, bancários, funcionários públicos, mecânicos, pastores, tapeceiros, advogados, segurança, técnico eletrônico, estudantes, tínhamos até pedreiros e ajudantes e muitos outros que no mutirão se tornavam apenas servos a servirem uns aos outros e ao Senhor com alegria e dedicação, como era o lema que dominicalmente líamos na parede do altar “Livre para Servir”.. (foto)

Em meados de 1988, foi iniciada a obra definitiva do prédio hoje existente, ainda executada através dos famosos mutirões. Por uma questão de praticidade e desenvolvimento dos serviços, foi contratado para trabalhar durante a semana e aos sábados um ferreiro-armador e um ajudante, fizemos também a aquisição do mais importante equipamento de trabalho, uma betoneira usada, haja concreto.... nunca vi tanto buraco pra encher, o trabalho foi árduo mas certamente valeu a pena. Pois, apenas com três anos de sua fundação, em dezembro de 1988? ou maio de 1989?, foi lançada a pedra fundamental da construção da igreja.
Uma verdadeira festa com a presença de muita gente, nem a garoa que caía desanimou o povo a seguir em cortejo do salão provisório de cultos até o local preparado para esta finalidade. O que é a pedra fundamental? Você saberia dizer onde ela foi colocada exatamente? Na realidade a pedra fundamental não é uma pedra mas uma urna de aço colocada dentro de uma caixa de alvenaria que fica, em nosso caso, enterrada junto a fundação da obra. Dentro desta caixa foram colocados diversos objetos significativos para a obra e para a época (livros, revistas, jornais do dia, dinheiro da época, projeto da obra, hinário e confissões luteranas, bíblia, etc), que ficarão ali depositados até que um dia este templo seja destruído ou demolido e fará parte da historia do povo luterano em São Bernardo do Campo. É isso aí já fazemos parte da história de nossa cidade e de nossa igreja, mas é claro que a história é dinâmica e como diz a música popular “Quem sabe faz a hora....” . Por isso irmãos é sempre hora de servir ao nosso Senhor, com nossos dons e bens para levar a mensagem salvadora à outros.
